• Anderson Martins

Amanheceres magníficos, Órion, Sírius e mais

Selecionamos alguns objetos celestes para você observar neste mês de março, incluindo amanheceres interessantes.

A observação não exigirá necessariamente um céu estrelado como o da imagem acima.


Início do Outono


O mês de março marca o início do equinócio (neste ano se inicia no dia 20/03), quando os hemisférios recebem a mesma intensidade de luz. Isso configura o outono no hemisfério sul e a primavera no hemisfério norte. Repare que a palavra "equinócio" se origina do latim: aequss (igual) + nox (noite). Ou seja, a duração das noites são iguais e, consequentemente, dos dias também.


Veja no céu!


As imagens abaixo mostram alguns aspectos do céu noturno de março, por volta das oito horas, em Campinas, SP. Vale ressaltar que a observação do céu depende de onde você está no globo. Como as imagens foram retiradas do software gratuito Stellarium, você poderá utilizá-lo se quiser uma visão mais precisa de onde você está.






Ao observar as imagens, é possível notar a presença das 'Três Marias', o nome popular designado ao cinturão de Órion, a constelação do caçador. Com o passar dos dias veremos tal constelação se deslocar cada vez mais para oeste.


Constelação de Órion | Números na imagem:


1 - Cinturão de Orion, formado pelas estrelas Mintaka, Alnilan e Alnitak.


2 - Estrela Betelgeuse, super gigante vermelha situada a 642,5 anos-luz. Ultimamente tem sido comentado na mídia sobre a variação de seu brilho. A estrela está no processo final de sua vida.


3 - Os três pontinhos parecem três estrelas, mas o pontinho do meio, quando ampliado, revela que na verdade estamos observando a gigantesca nebulosa de Órion.

Uma nebulosa é uma nuvem de poeira e gás de proporções inimagináveis. Através da gravidade, essa poeira se une em diversas partes, criando bolas gigantes. E então tais bolas começam a 'esmagar' com seu próprio peso a matéria em seu centro. Tal esmagamento é chamado de fusão nuclear, um processo físico que libera energia. Estamos falando do nascimento das estrelas. Ou seja, a nebulosa é um berçário estelar.


Agora veja a estrela mais brilhante do céu: Sírius. Se você observar de noite o cinturão de Órion (três marias), verá que 'aponta' para a direção de Sírius.


Tal estrela é uma das mais próximas do Sol, distando cerca de 8,6 anos-luz. E na verdade, é uma estrela binária (par de estrelas que se orbitam, como duas dançarinas). O período orbital delas é de cerca de 50 anos.



Sírius faz parte da constelação do Cão Maior. Na imagem acima é possível ver claramente que o desenho forma um cachorro. Agora tente você achar no céu a estrela e identificar o padrão!


Mais abaixo da linha do horizonte, podemos ver a segunda mais brilhante estrela do céu: Canopus. Tanto Órion, Sírius e Canopus predominam nas noites de verão. No inverno, Órion se 'esconde atrás do Sol', por causa do movimento da Terra em órbita.


Mas uma constelação, que muitos já estão familiarizados, permanece praticamente constante no céu noturno do hemisfério sul. Trata-se do Cruzeiro do Sul. Inclusive tal constelação é uma boa referência para a orientação espacial, já que a mesma aponta, como indica em seu nome, para o sul geográfico da Terra.



Caminhando o olhar para a esquerda de Canopus, é possível observar um conjunto de estrelas que costumam confundir muitas pessoas, pois segue o mesmo padrão do Cruzeiro do Sul. Trata-se de estrelas que pertencem a uma antiga e gigantesca constelação de um navio, que foi separada em inúmeras outras no século XVIII (Puppis, Bússola e Velame). Porém, caminhando para o horizonte podemos identificar o verdadeiro Cruzeiro do Sul. Repare que dentro da cruz existe uma "pequena" estrela, chamada de Epsilon Crucis, carinhosamente conhecida como Intrometida.


E mais abaixo, um par de estrelas forma uma das patas dianteiras da gigante constelação do Centauro. A mais brilhante delas, Alfa Centauri, é a estrela mais próxima do nosso Sistema Solar. Distando cerca de 4,3 anos-luz, tal estrela é um sistema 'trinário' (três estrelas que dançam um balé cósmico). Para chegar até lá, estima-se que, com a tecnologia que temos hoje, levaria em torno de 78 mil anos.


Agora veja você mesmo esses objetos hoje à noite!




Amanheceres, ou pré amanheceres de março


Agora temos a surpresa do mês, que será destinada para aqueles que não temem acordar cedo.


No dia 11 de março, antes do amanhecer, você poderá ver no céu Marte, Júpiter e Saturno muito "próximos":






No dia 17, a Lua se junta à festa. E Júpiter e Marte se aproximam:



No dia seguinte, 18 de março, a Lua se alinha à Marte, bloqueando sua visão no céu. Também, será possível observar Júpiter bem próximo do nosso satélite natural, podendo proporcionar fotos incríveis:



No dia 20, Júpiter e Marte serão visíveis muito próximos entre si:




E, no último dia do mês, Marte irá se aproximar de Saturno no céu:




Para continuar explorando o céu noturno baixe o software gratuito Stellarium e comece a estudar a posição das estrelas e constelações em qualquer dia e horário de qualquer ano!



Também, fique ligado em nosso evento Especial Mulheres na Astronomia: Vera Rubin. Além de uma exposição e palestra sobre a astrônoma, teremos observação com o telescópio (embora não será possível ver os planetas, poderemos observar aglomerados e a nebulosa de Órion).




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