• Equipe do GPEC

O quão efetivo são os diferentes tipos de álcool contra o coronavírus?

Com a falta de álcool em gel nas prateleiras, as pessoas estão buscando formas alternativas para se protegerem. Veja abaixo algumas recomendações para a utilização desses produtos.

Na internet circulam diversas receitas de como fazer álcool em gel caseiro, incluindo misturas de álcool 96º GL com gel de pentear, glicerina e até mesmo gelatina. Porém, saiba que tais receitas, muito pelo contrário, são perigosas, pois não são eficazes contra o vírus e podem até mesmo aumentar o grau de infecção.


Por conta disso, este texto buscou trazer formas alternativas de utilizar outros tipos de álcool baseadas em recomendações de especialistas em vírus, mas também expor os riscos desses procedimentos, bem como a forma que autoridades nacionais se posicionam com relação a tal uso. Todos já devem ter escutado tal recomendação, mas vale reforçá-la mais uma vez: "O mais eficiente no momento é a lavagem constante das mãos com água e sabão e o uso de álcool em gel (em situações em que não é possível a lavagem imediata)! "

No vídeo acima, o biólogo e pesquisador Átila Iamarino esclarece que o álcool em gel é efetivo, rebatendo notícias falsas que circulam pela internet. Porém, o álcool em concentrações maiores pode não ter uma ação efetiva, uma vez que o mesmo evapora muito rápido (é volátil), além de oferecer riscos para a pele. Com isso, o tempo de contato do produto com o vírus não é o suficiente para matá-lo. O sabão (sabonete, detergentes, sabão de pedra) e o álcool em gel são métodos de prevenção efetivos, pois eles quebram a cápsula de gordura que envolve o vírus. É importante lembrar que o sabão, se bem manuseado, não só combate o vírus mas também elimina toda a sujeira das mãos. O álcool em gel, nesse caso, serve apenas para a esterilização (eliminação de vírus e bactérias).

E se não há álcool em gel? Se não há o álcool em gel, deve-se apostar com segurança na limpeza das mãos frequentemente com água e sabão. Porém, tal limpeza deve ser feita de forma rigorosa. Veja o vídeo abaixo.

Agora, caso se esteja em uma situação que não é possível lavar as mãos com água e sabão, existe um procedimento de mistura de álcool com água*, que fará com que o produto de maior concentração atinja a concentração recomendada. E tal concentração está entre 60% e 70%. Abaixo de 60% não existe a eficiência de eliminar os microrganismos, e acima de 70% o álcool evapora rapidamente.


Além disso, aplicar sobre a pele álcool de maior proporção, como é o caso do álcool de churrasqueira, é perigoso. Segundo a pesquisadora em saúde da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), Chrystina Barros, "o líquido resseca as mãos, e seu uso repetitivo pode machucar a pele, servindo de porta de entrada para algum tipo de contaminação". Além disso, oferece riscos de incêndio. Por isso a necessidade de se reduzir a concentração do produto.


Por exemplo, o doutor em química Guilherme Oliveira da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), demonstra como obter álcool em 70% através do produto em maior concentração: O álcool 96º GL (90% de álcool por cada unidade de volume) ou 92,8º INPM (92,8% de álcool por unidade de massa) atinge 70% se diluído em água numa proporção de 3 para 1. Ou seja, 3 copos de álcool para 1 de água. Também, água filtrada ou fervida (e resfriada depois) garante melhor eficiência.


Outro ponto importante é não fazer em grande quantidade, pois o álcool pode evaporar logo. Por isso a recomendação é preparar a mistura para a ocasião em que se deve usar na hora, tomando as precauções de segurança para com o fogo e inalação do produto.


Mas o que as autoridades dizem sobre a diluição?


De acorda com a dica da Universidade Estadual Rutgers, de Nova Jersey, álcool de maiores proporções deve ser misturado com água, reforçando o raciocínio químico de proporção acima para o caso em que o grau é 96º GL. Porém as autoridades brasileiras, como o Conselho Federal de Química, se posiciona de forma contrária à manipulação de álcool em domicílio. Veja um trecho da Nota Oficial dessa autarquia federal:

" Posso produzir meu próprio álcool gel em casa?

Algumas receitas caseiras estão circulando na internet e, em geral, recomendam a produção do álcool em gel a partir do álcool líquido concentrado. O CFQ preza pela segurança da população brasileira, por isso, não recomenda essa prática tanto pelos riscos associados quanto por confrontar a legislação brasileira. "


Com isso, sugerimos que a diluição em água seguindo a proporção acima deverá ser feita caso realmente não haja opções como lavar as mãos com água e sabão ou o uso de álcool em gel antisséptico. Estes métodos continuam sendo os mais eficazes e seguros para a eliminação de microrganismos como o coronavírus.


Para saber como higienizar objetos pessoais, de sua casa dentre outros, veja as recomendações do Conselho Federal de Química clicando aqui.





Demais Referências: Este texto teve contribuição de Jonathan Quartuccio (Físico), Anderson Martins (Estudante de Física), Carol Mariano (Bióloga) e Guilherme Oliveira (Químico).



*

Como não há uma regulação para a diluição dos tipos de álcool, o GPEC não se responsabiliza por acidentes ou danos na pele causados pelo uso indevido desses produtos. Sua aplicação é de total responsabilidade do usuário, e o mesmo levará como consideração as recomendações das autoridades de saúde, como o Ministério da Saúde e a Organização Mundial da Saúde (OMS). Além disso, vender produto adulterado é crime!






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