• Anderson Martins

Por que antibióticos em rios ameaçam a saúde pública?

Atualizado: Fev 28

O descarte inadequado de antibióticos está causando, a nível global, um aumento na resistência de bactérias nocivas aos seres humanos e demais animais. Por outro lado, iniciativas para recuperar a salubridade das águas partem da comunidade científica.


Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), a resistência aos antibióticos é uma das maiores ameaças à saúde, à segurança alimentar e ao desenvolvimento global. Ainda, segundo a organização, doenças como pneumonia, tuberculose e gonorreia estão se tornando cada vez mais difíceis de serem tratadas, já que os antibióticos estão se tornando ineficazes diante do 'fortalecimento' dos micro-organismos.


Como os antibióticos vão parar nos rios?


Os antibióticos chegam nos rios por meio do descarte inadequado de medicamentos. Muitas pessoas, por falta de informação, acabam descartando no lixo ou diretamente no esgoto pílulas e comprimidos de natureza variada. Tais substâncias acabam contaminando os rios que recebem esse esgoto, ambiente em que já existe uma grande quantidade de micro-organismos.


Como as pessoas são contaminadas por essas bactérias?


De fato, a água que a maioria dos brasileiros consomem diariamente é tratada de forma a eliminar qualquer risco de contaminação. Porém, existem outras formas diretas ou indiretas de contato.


A água do rio é um ambiente compartilhado por diversas formas de vida que vivem em seu ecossistema. Por exemplo, peixes, aves e outros animais que convivem na borda, inclusive humanos que utilizam a água como atividade de lazer ou pesca. Tais interações já são suficientes para causar uma infecção indesejada, uma vez que os peixes podem ser comercializados ou pessoas entram diretamente em contato com a água.


Também, de forma indireta, as aves podem carregar tais bactérias nocivas. Descobertas recentes indicam que 20% de uma espécie de gaivota australiana carrega bactérias patogênicas resistentes a antibióticos. As gaivotas coletam bactérias como E.coli de esgotos, lixões e águas residuais.

Bactérias E.Coli, resistentes a antibióticos.



Onde descartar os medicamentos?


Mas afinal, se os remédios não podem ser jogados no lixo ou esgoto, onde descartá-los?

Segundo o site ecycle, o descarte de medicamentos vencidos pode ser feito por meio de um mecanismo chamado logística reversa. Ou seja, o consumidor devolve o produto vencido à rede de farmácias e drogarias, para encaminhá-lo ao seu destino final sem risco de contaminação. Também, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) possui uma lista de postos de coleta credenciados.


Iniciativas para recuperar a salubridade das águas


A cientista brasileira da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), Sara Vieira, visitou em 2017 o LNLS (Laboratório Nacional de Luz Síncroton) em busca de analisar materiais sintéticos micro porosos. O objetivo foi de verificar sua eficiência na captura de substâncias prejudiciais ao meio ambiente, incluindo os antibióticos.


Sara, que é pós-doutoranda do Departamento de Química da universidade mineira, explica em um vídeo feito pelo próprio LNLS (assista abaixo) do que se trata o material, que seria análogo à uma 'peneira molecular'. "Esses materiais apresentam essa estrutura porosa numa escala de meso poros, que são diâmetros de poros que vão estar na faixa de 2 a 50 nanômetros", explica Sara.


Para se ter uma ideia, 1 nanômetro equivale a 0,000000001 m. Essa escala é tão pequena que um microscópio convencional não é suficiente para a observação. Por isso pesquisadores como a pós-doutoranda em química precisam utilizar o laboratório de luz síncroton, localizado no CNPEM (Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais) em Campinas, São Paulo.


O Laboratório, que já recebeu seu enorme e mais eficiente sucessor, o Sírius, funciona acelerando elétrons, que são partículas subatômicas presentes em todos os átomos que constituem a matéria inclusive nós, além de ser responsável pela energia elétrica. Tais partículas, quando aceleradas, produzem uma espécie de raio X super potente, que pode ser utilizado para observar estruturas a um nível molecular, como é o caso das peneiras moleculares.


Segundo a cientista, o pequeno tamanho dos poros é decisivo na captura dessas substâncias poluentes. "Os meso poros são importantes para que as moléculas dos poluentes, como a amoxicilina ou diversos hormônios que tentamos remover dos rios, lagos, possam entrar dentro desses poros desses materiais para ficar presa e absorvida", afirma.





Referências:


https://nacoesunidas.org/estudo-mostra-alta-concentracao-de-antibioticos-nas-aguas-de-rios-do-mundo/


https://www.lnls.cnpem.br/


https://www.ecycle.com.br/149-descarte-de-medicamentos


Foto de Capa: Rio Atibaia, por Eiti Kimura









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