• Carolina Idelfonço

Programa Artemis: a Lua como um degrau para Marte

Atualizado: Jun 4

A NASA anunciou o Programa Artemis, que pretende levar o próximo homem e a primeira mulher à Lua. Dentro dos objetivos do projeto está o preparo para a futura missão tripulada ao planeta Marte.


Durante as décadas de 1960 e 1970 a NASA (Administração Nacional da Aeronáutica e Espaço), agência federal dos Estados Unidos responsável pela pesquisa e exploração espacial, desenvolveu diversas missões com o objetivo de levar o homem até a Lua, estas missões ficaram conhecidas como Projeto Apollo. Dado o contexto histórico em que ocorreram, período conhecido como Guerra Fria, essas missões tinham um teor político gigantesco, mas este fato não descarta a importância científica das mesmas, além de sua influência nos mais variados setores da sociedade: da cultura pop aos aparatos tecnológicos provenientes das pesquisas espaciais.

"Um pequeno passo para o homem, mas um grande salto para a humanidade" disse Neil Armstrong, o primeiro homem a pisar na Lua, em 1969. Após ele, outros 11 homens realizaram o mesmo feito, com os objetivos de coletar material para o estudo do solo lunar, desenvolver habilidades para o trabalho humano no ambiente lunar, além de estabelecer tecnologias que tornassem viável a exploração espacial norte-americana. O Projeto Apollo foi finalizado em dezembro de 1972 por alguns fatores, o principal deles foi o corte de verbas feito pelo governo, resultado do desinteresse da opinião pública nos programas de exploração do espaço sideral.


Momento da fixação da bandeira dos Estados Unidos na superfície lunar em 20 de julho de 1969, pelos astronautas Neil Armstrong e Edwin Aldrin. A imagem foi capturada por um filme de exposição por uma câmera de aquisição de dados acoplada no Módulo Lunar. Crédito: NASA.


Em 2017 a NASA lançou o Programa Artemis, que pretende levar o próximo homem e a primeira mulher à Lua em 2024. A missão será realizada em parceria com colaboradores internacionais e empresas privadas do setor espacial.

De acordo com o site do Programa Artemis, são três os principais objetivos pelos quais a missão ocorrerá: para aprender, acessar recursos e para se preparar para levar humanos até Marte. Este último chama a atenção, mas vamos discutir um pouco os dois primeiros. A exploração do espaço sideral tem mostrado que os ganhos são muito maiores do que se espera. Existem os resultados que são previstos e entram como objetivos da missão, como por exemplo a coleta de materiais para pesquisa, o desenvolvimento de tecnologias para o ramo das ciências espaciais, entre outros. Porém, sempre há resultados que não são

previstos, mas acabam atingindo diretamente o cotidiano das pessoas. Toda essa gama de conhecimento e tecnologia gerados pela exploração espacial, entram no primeiro objetivo do Programa Artemis, o aprendizado.

O segundo objetivo citado já foi muito trabalhado em obras de ficção científica: a exploração de recursos minerais no espaço. Embora o planeta Terra possua uma quantidade relativamente grande de minérios, ainda assim é limitada. O acesso a esses minerais exige cada vez mais a exploração imprudente do meio ambiente, o que pode influenciar nas

mudanças climáticas, alterações de biomas, e até acidentes catastróficos. Seria interessante, portanto, conseguir tais recursos de forma a evitar as problemáticas citadas. A Lua pode oferecer recursos como: água, ouro, platina, entre outros elementos utilizados na

construção de dispositivos eletrônicos.


Por fim, chegamos ao ponto que nos interessa: qual a relação de voltar à Lua e levar humanos até Marte? De acordo com o site do Artemis, a resposta para tal pergunta é: "Nosso objetivo é ir mais longe no Sistema Solar do que nunca fomos. Para nos preparar para Marte, devemos estudar e provar novas capacidades humanas no espaço profundo em

nossa Lua."

São incontáveis as capacidades que devem ser desenvolvidas para que se possa alcançar cada vez mais o espaço profundo, ou seja, realizar missões tripuladas para além da Lua. Podemos citar algumas: o combustível usado nos foguetes, a energia que sustentará todos

os sistemas, a eficiência da comunicação com a Terra, entre outros, que podem ser indicados ou alguns que são imprevisíveis.

Dentre esses o mais complexo é a questão da comunicação, pois atualmente conhecemos apenas as ondas de rádio como meio de transmitir informação no vácuo do espaço. Como as ondas de rádio são uma parte do espectro eletromagnético, que é basicamente a luz, sua

velocidade não ultrapassa a velocidade da luz, portanto a comunicação com Marte, por exemplo, levaria cerca de 20 minutos. Sendo assim, um astronauta em solo marciano enviaria uma mensagem para a Terra e só teria uma resposta após 40min (tempo de ida e volta).


Imagem de Marte capturada pelo telescópio espacial Hubble. O planeta vermelho está a cerca de 20 minutos-luz de distância da Terra, ou seja, a luz leva 20 minutos para percorrer a distância entre os dois astros. Crédito: NASA/JPL.


A NASA, juntamente com os colaboradores, está trabalhando na construção de toda a cadeia de dispositivos e estruturas para o programa. A estratégia e dispositivos são: a atualização das plataformas de lançamento; a construção de um super foguete chamado Space Launch System (SLS); a construção da sonda Orion que levará os astronautas ao Gateway e servirá de suporte de vida ao posto avançado nas primeiras missões; a construção do Gateway que será um posto orbital que apoiará as missões de exploração humana e científica, atuando como um sistema de pouso que levará os astronautas até a superfície lunar; e por último uma unidade de mobilidade em solo lunar projetada para auxiliar na proteção dos astronautas bem como sua movimentação no satélite natural.

Fica evidente, portanto, a importância do Artemis para as futuras missões tripuladas ao planeta vermelho. A volta à Lua testará todas essas inovações tecnológicas e a capacidade humana de trabalhar no espaço.


Um dos objetivos do Programa Artemis é explorar o polo sul lunar. O esquema acima indica as principais missões que serão realizadas. Crédito: NASA


Muitos astrônomos e amantes das ciências espaciais apostam que em em breve haverá uma base de lançamento na Lua, já que a gravidade do astro é muito menor que a da Terra, dessa forma não é necessário muito combustível para lançar missões em direção ao espaço profundo. Mas isso ainda é especulação.

De qualquer forma é animador pensar nas possibilidades provenientes dessas missões. Em 1855 o escritor Júlio Verne descreveu, em seu romance Da Terra à Lua, a viagem ao astro mais próximo de nós, o que um século depois tornou-se realidade. Isso nos deixa a pergunta: onde estaremos daqui a 100 anos?




Fontes:

https://www.bbc.com/portuguese/geral-46947162 https://www.nasa.gov/specials/artemis/ https://www.nasa.gov/mission_pages/tdm/sep/index.html https://www.space.com/back-to-moon-astronaut-mike-massimino.html

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